sábado, 17 de janeiro de 2009

ENFERMAGEM TUBOS, SONDAS E DRENOS

Enfermagem Médico-Cirúrgica

TUBOS, SONDAS E DRENOS

► DEFINIÇÕES

Os drenos, cateteres ou tubos são utilizados de forma rotineira tanto no pré, no pós ou no transoperatório. Muitas vezes esses termos ( tubo, dreno, cateter e sonda), se confundem e são tomados como sinônimos. Outras vezes, um substitui o outro, como uma sonda vesical de alívio passa a ser utilizado como dreno, por exemplo. Isso se deve, parte a criatividade do profissional, parte à carência de recursos em alguns serviços públicos, além da ocasional falta de oferta de determinado equipamento pela indústria médico-hospitalar.

Por definição, drenos são materiais colocados no interior de uma ferida ou cavidade, visando permitir a saída de fluidos ou ar que estão ou podem estar ali presentes, evitando o acúmulo de líquidos em espaços potenciais e removendo coleções diversas. Freqüentemente, sua utilização destina-se à evacuação de secreções como seromas, hematomas, secreções do trato digestivo, linfa, pus e material necróticode regiões onde não seja possível a exposição e limpeza repetidas.

Os cateteres são tubos de diversos materiais e calibres inseridos no organismo, tendo como função a infusão de líquidos, como, por exemplo, os cateteres intravenosos, ou a retirada de líquidos, como os cateteres vesicais.

Os drenos e cateteres podem ser confeccionados de diversos materiais, em vários tamanhos e formatos,e indicados na dependência do objetivo ao qual se destinam. Agem por meio de gravitação, capilaridade ou sucção.

CLASSIFICACÃO QUANTO AO MATERIAL

BORRACHA

Os drenos de borracha podem ser tubulares, rígidos ou laminares. Os primeiros drenam por gravitação, e os outros dois, por capilaridade. Apresentam como vantagens sobre os de polietileno, o fato de serem mais macios e maleáveis, reduzindo a chance de lesão de estruturas intra-abdominais, como vasos e alças, devido à erosão de contato. Como inconvenientes, por terem uma superfície mais irregular, são mais sujeitos à colonização bacteriana e infecção peridreno.

POLIETILENO

São confeccionados de material plástico pouco irritante, às vezes radiopaco. São rígidos e geralmente apresentam várias fenestrações, permitindo a saída de líquidos por gravitação ou sucção.

SILICONE

Tubos de material praticamente inerte, radiopaco, menos rígido do que o polietileno e menos sujeito a contaminação bacteriana do que o látex.

TEFLON

Utilizado em alguns tipos de cateteres venosos, é menos antigênico que os materiais já citados, reduzindo a incidência de flebite e permitindo maior tempo de permanência do cateter na veia.

♠ VIALON

Composto de poliuretano utilizado na composição de cateteres intravenosos com menor poder antigênico e trombogênico, permitindo maior tempo de permanência no interior dos vasos, sem induzir a tromboflebite.

CLASSIFICACÃO QUANTO A FORMA DE ACÃO

CAPILARIDADE

A saída de secreções se dá através da superfície externa do dreno. Não há passagem de líquidos pela sua luz.

GRAVITACÃO

Utiliza-se cateteres de grosso calibre, colocados dentro da cavidade e conectados a bolsas coletoras ou borrachas de látex.

SUCCÃO

Um dreno de polietileno, com múltiplas fenestrações , é conectado, em sua extremidade externa, a um reservatório contendo um orifício para saída de ar. Ao se retirar o ar desse reservatório, cria-se o vácuo, fazendo-se a aspiração ativa do conteúdo dentro da ferida, até que a presença do líquido no reservatório iguale as pressões, perdendo-se o vácuo. Ao se esvaziar o líquido coletado dentro do reservatório, realiza-se nova retirada do ar e há retorno da pressão negativa, cm aspiração ativa no interior da ferida.

CLASSIFICACÃO QUANTO À ESTRUTURA BÁSICA

LAMINARES

O mais conhecido é o dreno de Penrose, apresentedo em três diferentes larguras:1, 2 e 3. O primeiro geralmente é utilizado na drenagem de pequenas lojas, e o último, quando existe previsão de extravasamento de grandes quantidades de secreção.

TUBULARES

É a forma da maioria dos drenos e cateteres, drenando por gravitação e podendo ser de vários materiais, como polietileno, silicone ou látex.

Às vezes, podem-se combinar as vantagens dos drenos tubulares e laminares, pela inserção de um dreno tubular dentro da luz de um dreno laminar. Outra modificação que se pode encontrar nos drenos laminares, é a introdução de gaze na sua luz, formando o chamado dreno em cigarro. No entanto, nenhuma dessas modificações apresentam reais vantagens com seu uso.

CLASSIFICACÃO QUANTO AO CALIBRE

Os tubos têm seu calibre correspondenteà numeração em French (Fr), de forma crescente, e os cateteres, principalmente para uso intravenoso, têm sua medida em Gauge (G) de forma decrescente.

Medidas de tubos em French (Fr).

6Fr 8Fr 10Fr 12Fr 14Fr 16Fr 18Fr 20Fr 22Fr 24Fr

6mm 8mm 10mm 12mm 14mm 16mm 18mm 20mm 22mm 24mm

Medidas de tubos em Gauge(G)

10G 12G 14G 16G 18G 20G 22G 24G

3,4mm 2,8mm 2,1mm 1,7mm 1,3mm 1,1mm 0,8mm 0,7mm

CLASSIFICACÃO QUANTO AO USO

♠ INTRAVENOSOS

A cateterizacão intravenosa é um dos procedimentos invasivos mais comumente realizado em hospitais. Os cateteres intravenosos são, geralmente, siliconados, em vários comprimentos e calibres. Podem ter o sistema tipo agulha por dentro, como os utilizados para punção venosa periférica, ou agulha por fora, como aqueles utilizados para punção venosa central.

♠ APARELHO DIGESTIVO

♪ ESÔFAGO E ESTÔMAGO

Hoje, a utilização da tubagem nasogástrica se restringe a casos selecionados, principalmente com o objetivo de descompressão gástrica e remoção de resíduos gástricos e esofágicos no pré-operatório de pacientes com semi-obstrução ou obstrução completa desses órgãos.

Os tubos de borracha macia, tipo Levin, são menos irritantes, mas os tubos de polietileno mantém sua perviedade necessitando de menos cuidados.

♪ INTESTINO DELGADO

São usados para descompressão do delgado proximal em presença de uma obstrucão. São inseridos durante a cirurgia e posicionados pelo cirurgião.

♪ VIAS BILIARES

Os tubos de Kehr, ou tubos em T, que podem ser de materialplástico ou de borracha, são colocados nas vias biliares extra-hepáticas para drenagem externa, descompressão e, às vezes, como prótese modeladora após uma anastomose biliar.

♪ RETO E SIGMÓIDE

Tubos de polietileno são utilizados para evacuação de conteúdo líquido ou gases da porção distal do cólon, em presença de obstrução parcial ou total, e para a introdução de diversas substâncias, como líquidos para lavagem (clister), contraste, medicamentos.

CAVIDADE ABDOMINAL

Na drenagem da cavidade abdominal podem ser utilizados drenos como o de Penrose. Malecot ou drenos tubulares de polietileno. A escolha desses drenos se faz pelo volume esperado de secreção, tempo de permanência na cavidade, necessidade da infusão de líquidos ou drogas, risco de erosão de alças e/ou vasos. Deve-se ter em mente as vantagens e desvantagens desses tipos de drenos de acordo com a antigenicidade do material e mecanismo de ação de cada um.

URINÁRIOS

Os cateteres urinários são de dois tipos: os de alívio (cateter uretral) e os de demora ( cateter de Foley). O primeiro tem seu uso somente indicado em casos de retenção urinária aguda, quando se prevê seu uso apenas para retirada de urina acumulada. Por sua vez o cateter de Foley é indicado nos casos em que há’necessidade de observação continuada do fluxo urinário, ou quando há necessidade da permanência dos músculos vesicais em repouso. Esse cateter de borracha macia tem em sua extremidade um balonete, que é inflado para garantir sua permanência dentro da bexiga, sendo aí removido quando o balão é desinsuflado.

►CUIDADOS GERAIS E ESPECÍFICOS COM CATETERES E DRENOS

CATETERES VASCULARES ( CV )

A escolha do CV mais adequado constitui uma decisão multidisciplinar baseada nas característica clínicas do paciente, no tipo de terapia a ser instituída e no custo do dispositivo. São numerosas e controversas as propostas relativas aos cuidados com os CVs. O bom resultado do uso dos CVs requer a adesão estrita dos profissionais de saúde a um protocolo estabelecido de cuidados.

O local de inserção do cateter constitui a principal porta de entrada para os microorganismos que colonizam a pele e está relacionada à SRC ( septicemia relacionada ao cateter ) que ocorre pouco tempo após sua inserção.

Nos cuidados com os CVs, destacamos os relativos à inserção, incluindo a escolha do local mais apropriado, precauções relativas à barreira e desinfecção do local de inserção, como também a manutenção do dispositivo após sua inserção e a obediência as técnicas de anti-sepsia durante a manipulação do hub.

Deve-se anotar data e hora da inserção do cateter em lugar visível próximo à inserção do cateter; designar um profissional treinado para a inserção e manutenção dos cateteres; obedecer as técnicas de anti-sepsia durante a inserção do cateter na pele; lavar as mãos antes e depois de palpar, inserir, repor ou trocar curativo em qualquer CV; limpar previamente o local da inserção na pele com anti-séptico adequado: álcool a 70%, povidona-iodina a 10% ou tintura de iodina a 2%; o local de inserção não pode ser palpado após anti-sepsia; o curativo deve ser trocado toda vez que estiver úmido; inspecionar o local de inserção do cateter e removê-lo se houver presenca de pus; realizar, em adultos, um rodízio dos locais do cateter venosos a cada 48-72h para minimizar o risco de flebite, os cateteres inseridos na urgência devem ser removidos no máximo em 24h, pois é provável que tenha ocorrido uma falha nos cuidados de assepsia durante a sua inserção.

CATETERES NASOGÁSTRICOS E NASOENTERAIS

São usados para permitir nutrição ou para descompressão gástrica. No passado, os CNG, em especial o de Levin, foram utilizados de rotina em pacientes submetidos a cirurgias do trato gastrintestinal com o objetivo de diminuir a incidência de complicações pos-operatorias.Porém, já foi descrito que o uso profilático do CNG não oferece vantagens como também não interfere na permanência hospitalar nem no início da realimentação do paciente. As complicações são mais freqüentes em pacientes cateterizados, e a maioria guarda relação com o uso do cateter ( infecções respiratórias, atelectasia pulmonar, pirose, odinofagia, disfagia, lesões faríngeas, otalgia, entre outras).

Muita complicações do uso de CNG podem ser prevenidas pelo seu correto posicionamento. O cateter impede o fechamento do esfíncter esofageano inferior, causando refluxo gastroesofágico, esofagite, estenose e aspiração de conteúdo gátrico para a árvore traqueobrônquica. Outras complicações descritas são passagem do cateter para o interior do crânio ( devido a fratura dos ossos cribriformes), perfuração do esôfago, trauma em estruturas do nariz e distúrbios hidroeletrolíticos através da drenagem.

Para introdução do tubo gástrico ou enteral, deve-se proceder da seguinte forma:

Colocar o paciente na posição de Fowler alta. Caso não seja possível, posiciona-lo em decúbito lateral esquerdo,com a cabeça voltada par o lado para evitar aspiração;

· Instilar, caso necessário, anestésico líquido na orofaringe, que também poderá ser utilizado em gargarejo com o objetivo de diminuir o incômodo pela passagem nasal e inibir o reflexo do vômito, tornando o procedimento mais tolerável para o paciente. A colocação de gelo na boca, por alguns minutos, pode ter o mesmo efeito;

· Medir o comprimento aproximado do tubo que será introduzido, esticando-o da extremidade do nariz até o pavilhão auricular e, daí, até o apêndice xifóide. Marcar essa distancia com um adesivo;

· Lubrificar o cateter com geléia anestésica ou vaselina antes de sua inserção;

· Pedir ao paciente que incline a cabeça e introduzir o tubo na narina escolhida. Avançar com ele ao longo do assoalho do nariz, em direção à orelha.quando o tubo atingir a faringe, manter o paciente com a cabeça inclinada e progredir lentamente, solicitando a ele que engula. No paciente consciente, que colabora, o processo pode ser facilitado com a ingestão de goles de água. No caso de encontrar dificuldade na progressão do tubo, retira-lo e tentar a passagem pela outra narina. Nos casos em que a flexibilidade do tubo interfere na sua passagem, pode-se coloca-lo na geladeira a fim de torna-lo mais rígido;

· Examinar a laringe do paciente para se certificar de que o tubo está progredindo no e não enrolando na boca ou garganta;

· Avançar o tubo delicadamente até a marca previamente assinalada;

· O posicionamento correto do cateter pode ser confirmado pela aspiração do conteúdo gástrico ou pela injeção de ar através do cateter e ausculta concomitante ao nível do epigástrio, a confirmação deve ser feita antes da instilação de qualquer líquido;

· O cateter deve ser fixado no nariz do paciente por meio de uma tira de esparadrapo, deixando-a folgada para permitir movimentos da cabeça e a deglutição;

· Deve ser irrigado com 30ml de solução salina ou água a cada 4h para mante-lo pérvio;

· A higiene oral do paciente deve ser mantida com colutórios;

· O paciente deve permanecer com a cabeceira elevada durante todo o período que permanecer com CNG para diminuir ou prevenir o refluxo gastroesofágico;

· A retirada do cateter deve ser o mais precoce possível. Nos casos que necessitam de permanência prolongada, é aconselhável o uso de inibidores da secreção gástrica ( inibidores de hidrogênio ou bloqueadores da bomba de prótons ).

A tubagem entérica se dá pela colocação de um tubo longo no trato intestinal ( duodeno, jejuno ou intestino delgado ) através do nariz ou cavidade oral passando pelo esôfago e estômago. É de maior tolerância biológica o que permite sua permanência por um tempo mais prolongado. Quando comparados às sondas tradicionais, tem menor incidência de complicações, pois reduzem o refluxo gastroesofágico, a regurgitação, a salivação excessiva, a irritação das mucosas e as necroses nasais.

Para introdução dos tubos entéricos, aplicam-se os mesmos passos determinados na introdução dos tubos gástricos, observando-se algumas particularidades. O tubo enteral, por ser posicionado no intestino delgado, deve ser medido como o gástrico e, de acordo com algumas literaturas, somado a 10 ou 15 cm, porém o que temos visto na prática, tendo em vista a diferença de estrutura física individual dos pacientes, é de que a medida deverá ser, ao invés de se esticar a sonda apenas até o apêndice xifóide, levá-lo um pouco além, indo até a fossa ilíaca ou cicatriz umbilical. Após introduzido até a marca pré estabelecida, a sonda migrará, por gravidade, passando através do esfíncter pilórico até o intestino delgado auxiliada pelo próprio peristaltismo. Para progressão do cateter, o paciente deve ficar em decúbito lateral direito por 2h, a seguir em decúbito dorsal por mais 2h. A deambulação, quando possível, também auxilia a progressão do tubo. Após 24h o posicionamento pode ser certificado por radiografia.

Os tubos enterais ainda possuem uma ponta de tungstênio ou uma bolsa cheia de mercúrio, que ajuda na sua introdução e progressão. Por se tratar de cateter muito flexível, é necessária, ainda, a utilização de um guia metálico fino, previamente lubrificado, que poderá ser retirado quando o cateter atingir o esôfago.

Cuidados : -se o tubo não estiver drenando livremente ou o fluxo da dieta não for adequado, pode-se suspeitar de deslocamento ou obstrução. O deslocamento pode ser causado por tensão, quando o paciente se movimenta; pela tosse, pela aspiração traqueal, pela tubagem das vias aéreas ou pela tentativa do próprio paciente de retira-lo. Nesses casos, as manobras utilizadas para confirmar o posicionamento do tubo devem ser novamente realizadas.

-as obstruções do cateter são geralmente decorrentes de resíduos alimentares ou de sangue coagulado em seu pertuito. Podem ser evitadas com a lavagem do tubo com água após a administração de cada dieta. Esse procedimento estará, ao mesmo tempo, contribuindo para a hidratação do doente.

-deve ser feito um registro criterioso detodo líquido ( dieta, água, medicamento) administrado e drenado pelo cateter, a fim de se evitar déficit ou excesso de volume para o doente.

-queixas de dor de garganta e de rouquidão podem ser indicativas de esofagite e traqueíte. Em casos graves, podem determinar a retirada do tubo.

-a freqüência e o aspecto das fezes devem ser constantemente observados, pois é comum a ocorrência de diarréias. Suas possíveis causas são contaminação da dieta, intolerância a lactose, ação osmótica causada por fluidos hiperosmolares, efeito colateral de algum medicamento, administração de grandes volumes em tempo curto e albumina sérica baixa, fatores que podem prejudicar a capacidade de absorção do intestino. Nesses casos, recomenda-se a suspensão da dieta por 24h, no máximo, e procura-se afastar a causa.

-o recipiente que acondiciona a dieta e o equipo de infusão devem ser estéreis e trocados a cada 24h, para evitar contaminação.

GASTROSTOMIAS

A gastrostomia é um procedimento cirúrgico sobre o estômago com o objetivo de administrar líquidos ou alimentos. É indicada quando o doente necessita de nutrição enteral por mais de 6 semanas, ou quando a nasoenteral não pode ser utilizada devido à obstrução do esôfago, trauma de face ou da cavidade oral. Os cuidados com relação à administração de dietas é igual aos com as sondas gástricas e enterais, e seu início deve ser tão logo se constate a presença de peristalse. O preparo da pele antes da introdução do tubo deverá ser rigoroso. Após a colocação, deve ser feito curativo, mantido por 24 a 48h. Após esse período, a área deverá ser impa com água e sabão. A remoção do tubo, quando indicada, é feita com a desinsuflacao do balonete e tração levedo tubo.a fístula formada entre apele e o estômago fecha-se em poucos dias.

É essencial que a enfermagem esteja atenta aos sinais e sintomas das possíveis complicações. Normalmente infecciosas, como lesões na pele e até abscesso na parede abdominal, podem resultar de contaminação superficial ou da dieta que escapa do estômago entrando em contato com a parede abdominal. A presença de eritema, edema, drenagem purulenta, odor forte e dor no local de inserção do tubo, associada a presença de febre, são indicativos de infecção.

JEJUNOSTOMIAS

Pode ser utilizada para drenagem de secreções gástricas, para descompressão e para administração de alimentos, quando impedida por problemas gástricos ( fístulas, traumas, tumores,refluxo gastroesofágico ).

Os cuidados com a jejunostomia assemelha-s, em muito, aos cuidados com as gastrostomias. Devem ser utilizados cateteres de levin n.12 ou 14,porque podem causar obstrução intestinal.a administração da dieta deve ser lenta, para evitar diarréia. Os mesmos cuidados com a pele tomados com a gastrostomia, devem ser observados com a jejunostomia.

DRENO DE PENROSE

Dispositivo de látex, constituído por duas lâminas finas e flexíveis unidas entre si, que funciona por capilaridade, permitindo o escoamento de líquidos entre suas superfícies. O orifício de saída do dreno deve ser ocluído com gaze estéril e, dependendo da quantidade drenada e do local de sua inserção, deve-se utilizar uma bolsa coletora. Esta bolsa deve ser esvaziada com freqüência e o volume anotado rigorosamente para que as perdas possam ser repostas adequadamente. Na realização de limpeza desse dreno, deve-se observar a presença de dobras que dificultam a drenagem.

CATETERES VESICAIS

Envolve a introdução de um tubo na uretra até a bexiga, utilizando técnica asséptica. Está indicado para obter urina para exame laboratorial,para aliviar retenção urinária, evitar o funcionamento da bexiga após cirurgia, dilatar a uretra e realizar testes diagnósticos tais como cistoureterografia ou urodinamica, ou para introduzir medicamentos. Alem disso, auxilia no controle do volume urinário de pacientes gravemente doentes ou nos cuidados diários quando ocorre incontinência. Podem causar infecção urinária e lesão na uretra e bexiga. Os cateteres geralmente são feitos de látex, silicone ou polietileno. Após sua introdução, que deve ser de forma asséptica, alguns cuidados devem ser observados: o meato urinário deve ser limpo com água e sabão. Deve-se observar a urina em relação ao aspecto e quantidade. Se for detectada diminuição do volume urinário ou drenagem de urina pelo lado de fora do cateter, pode estar ocorrendo obstrução do cateter.

DRENO DE TÓRAX

Os drenos atualmente utilizados são tubulares, multiperfurados, siliconizados e semi-rígidos, com múltiplos orifícios em uma das extremidades. Seu calibre varia de 6 a 26Fr( 2 a 6 mm no diâmetro interno ), para uso pediátrico, e de 20 a 40Fr ( 5 a 11 mm ) para adultos.

Os sistemas de drenagem torácica, se compõem, basicamente, de 4 partes: o dreno propriamente dito, um conector, uma extensão intermediária e um frasco coletor, que funciona como válvula unidirecional. Uma vez introduzido na cavidade pleural, o dreno é conectado ao restante do sistema, que fica submetido às mesmas variações de pressão que ocorrem na caixa torácica, como num sistema de vasos comunicantes. A válvula unidirecional permitirá a saída de conteúdo da cavidade para o frasco coletor quando a pressão intrapleural aumenta, porém o fluxo no sentido inverso é bloqueado quando a pressão diminui.

O frasco coletor, de plástico ou vidro, é graduado para permitir o controle do aspecto e do volume drenado. Comunica-se com o meio externo por meio de respiros,que permitem a saída de ar do interior do frasco, e com o restante do sistema através do tubo longo, do qual uma extremidade conecta-se à extensão e a outra projeta-se no interior do frasco, mergulhando 2cm dentro de uma coluna líquida, o selo d água, que funciona como válvula, impedindo o refluxo do conteúdo do frasco ao interior da cavidade.

Para que isto aconteça, a pressão intrapleural deve ser aumentada em 2cm de água, nível facilmente atingível durante a fala, a tosse, a expiração e etc., para fazer com que a coluna de água baixe 2cm na porção submersa do tubo, vencendo a resistência da coluna líquida e permitindo o escoamento o conteúdo da cavidade. Durante a inspiração, mesmo profunda, a pressão intrapleural é insuficiente para aspirar de volta à cavidade o conteúdo do frasco, que deve permanecer sempre a um nível mais baixo que o tórax do doente.Isso cria uma válvula para saída do conteúdo e impede o retorno deste à cavidade, e o pulmão, desde que sadio, se expande progressivamente. Algumas vezes, o volume drenado é grande , se, por qualquer motivo, o frasco não for esvaziado constantemente, o débito drenado irá somar-se à coluna líquida, dificultando a drenagem, pois será preciso vencer uma resistência cada vez maior, representada pela coluna líquida. Tal situação pode ser contornada pela interposição de um frasco coletor.

Algumas vezes, a expansão pulmonar não é adequada, apesar da presença do dreno, o que pode dever-se a diversos fatores, como por ex., o encarceramento pulmonar. Nesses casos pode-se lançar mão da aspiração contínua da cavidade pleural, onde, por meio de um frasco regulador, cria-se uma pressão negativa no interior da cavidade, facilitando a expansão do pulmão. O frasco valvular conecta-se ao frasco regulador de pressão, e este, ao aparelho aspirador. O frasco regulador deve ter um respiro longo, comunicando-se numa das extremidades, com o meio externo, tendo a outra extremidade mergulhada numa coluna líquida, que é o que de fato determina o nível de pressão no sistema e, conseqüentemente, no interior da cavidade torácica. Assim, estando o respiro mergulhado 15cm em uma coluna líquida, estará determinada uma pressão de 15cm de água no interior da cavidade. Caso o aspirador gere pressões acima desse nível, o respiro permitirá a entrada de ar no interior do frasco regulador, promovendo um borbulhamento na coluna líquida, mantendo a pressão no sistema constante, nesse caso em 15cm de água.

Da mesma forma que na drenagem simples, o acúmulo de líquido no frasco valvular poderá dificultar a drenagem, de modo que, a interposição de um frasco coletor , criando um sistema com 3 frascos, evitará tal problema .

INDICACOES → está indicada sempre que houver a presença de coleção aérea ou líquida no interior da cavidade pleural que não possa ser tratada por toracocentese ou observação clínica, isto é, quando a etiologia do problema persistir, mantendo ou determinando aumento do volume da coleção apesar do tratamento clínico.As principais indicações são trauma torácico, pneumotórax, hemotórax ou hemopenumotorax espontâneos ou iatrogenicos, derrame pleural neoplásico sintomático ou recidivante, empiema pleural, quilotorax e pos-procedimento cirúrgico com abertura da pleura.

TROCA DE CURATIVO DO DRENO:

A troca de curativo deverá ser feita diariamente ou sempre que ele se soltar ou molhar. Os seguintes passos devem ser observados:

· Posicionar o paciente lateralmente sobre o lado não afetado;

· Lavar as mãos e colocar luvas estéreis;

· Retirar o curativo cuidadosamente, para não deslocar o dreno. Para tento, uma das mãos deve estar mantendo o dreno fixado no local;

· Remover o esparadrapo e as gazes, tendo o cuidado de verificar se o dreno não está preso a elas. Se necessário, usar tesoura para corta-las;

· Observar presença de secreção na gaze ( pequena quantidade de secreção serosanguinolenta no local de inserção do dreno, é comum);

· Observar a pele para identificar hiperemia e edema no local de inserção do dreno. Apalpar delicadamente ao redor do local de inserção do dreno para identificar presença de crepitações, notificando ao médico em caso de necessidade;

· Retirar as luvas e colocar outro par, estéril;

· Limpar o local com solução salina ou de acordo com o protocolo do serviço;

· Envolver o tubo próximo à pele em gaze;

· Colocar gaze entre o tubo e apele e sobre o tubo;

· Colocar o esparadrapo em tiras largas sobre as gazes, para vedar completamente o curativo;

· Após o curativo, observar o tubo, posicionando-o completamente esticado, para evitar voltas que possam prejudicar a drenagem. Não prendê-lo à cama, para não restringir a mobilidade do paciente e deslocar o tubo;

· Anotar a troca do curativo, aspecto do local bem como queixas do paciente.

TUBOS DE TRAQUEOSTOMIA

E abertura cirúrgica feita na parede anterior da traquéia, como objetivo de facilitar a ventilação. Pode ser temporária ou definitiva e é indicada nos casos de pacientes com obstrução por tumor de laringe, com edema pós cirurgia de cabeça e pescoço, e com queimaduras de boca ou pescoço. Além disso é recomendada para os casos em que há necessidade de ventilação mecânica por tempo prolongado, ou quando é preciso remover secreções traqueobrônquicas ou prevenir aspiração de secreções gástricas em pacientes com incompetência da laringe,ou ainda, no caso de uma traqueostomia definitiva pós laringectomia total.

Cuidados : * aspirar as vias aéreas com freqüência porque o paciente é incapaz de aumentar sua pressão intra-abdominal o suficiente para tossir e eliminar as secreções.Deve ser utilizada técnica asséptica;

* manter o ar inalado via traqueostomia sempre umidificado;

* proceder a aspiração da mesma forma que no tubo orotraqueal , observando sempre o tamanho da sonda a ser introduzida,para que seja metade do diâmetro da traqueostomia para que não haja hipóxia e até um terço do seu comprimento, porque a introdução profunda pode causar trauma;

* manter ao lado do paciente outro tubo de traqueostomia, do mesmo tamanho ou menor do que aquele usado pelo paciente bem como dilatador traqueal e equipamento para aspiração, que será utilizado no caso de obstrução;

* fazer o curativo do estoma utilizando técnica asséptica;

* fazer limpeza no local da incisão sempre que necessário e trocar freqüentemente as gaze,no caso de grande quantidade de secreção, para evitar infecção respiratória ou da ferida cirúrgica;

* verificar se a cânula está no local adequado após o curativo do estoma. Amarra-la no pescoço com fita macia e presa firmemente, para evitar que se solte com movimentos do paciente ou tosse.Se isso ocorrer , coloca-la no lugar. Se a traqueotomia tiver sido feita recentemente, a colocação da cânula no lugar deverá ser feita só por médico,porque o trajeto ainda nao foi formado e pode-se criar uma falsa passagem, comprimir traquéia ou obstruir a s vias aéreas superiores.Caso seja necessário, ocluir o estoma e ventilar o paciente pelo nariz e boca até que seja intubado;

* estar atento às possíveis formas de comunicação com o paciente traqueostomizado, para atendê-lo em suas necessidades.

INFECCOES HOSPITALARES RELACIONADAS COMO USO DE DRENOS, TUBOS E SONDAS.

Em recente investigação, a inserção de um dreno não foi fator significativo de complicações microbiana, e a taxa de transtornos sépticos da ferida nos portadores de um dreno foi inferior. No entento, quando dois drenos se mostraram necessários, o índice de infecção saltou em uma diferença muito significativa.

Os cateteres vasculares, os vesicais e as aspirações orotraqueais, são, sem dúvida, as maiores causadoras de infecções em unidades hospitalares. Assim, esses procedimentos devem ser evitados ao máximo, porém quando se fazem necessários, devem ser observadas as técnicas de assepsia rigorosa quando de sua inserção, assim como no seu manuseio. O uso de paramentacao deve ser levada a sério e o controle, através de exames laboratoriais seguidos a risca.

3 comentários:

  1. Boa tarde! Meu nome é Lucianna, estudante de Medicina. Muito interessante e didático este artigo sobre sondas e drenos. Gostaria que, se possível você me indicasse a bibliografia utilizada por você neste artigo!se puder enviá-lo para luzenha04@hotmail.com, ficarei grata!
    Agradeço desde já.

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  2. - Olá Gilson.
    O mesmo pedido que a Lucianna fez a você, também é o meu.
    Poderias me enviar a(s) sua(s) referência(s) no e-mail: isabela.marina1@hotmail.com ?
    Por favor.
    Desde já,
    Obrigada;

    Marina Isabela
    obrigada.

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  3. sera q vc poderia posar a bibliografia?? agradeço muito

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